Na 3ª edição da nossa incursão em busca das melhores Ultramaratonas e Stage Races de MTB do Brasil, nos deparamos com um fato novo: A homologação pela FMC – Federação Mineira de Ciclismo do Campeonato Mineiro de Ultramatona, que teve como evento experimental o percurso reduzido da ultramatona Caminhos de Rosa, que consagrou nosso querido atleta, Marcio Monteiro como o primeiro campeão mineiro de ultramaratona.

A partir do regulamento e definições da FMC, dentre outras características próprias deste tipo de competição, ficou definido que para se enquadrar como ultramaratona, a prova deve ter uma etapa contínua com pelo menos 160km.

Sendo assim, muitas stage races que se denominam ultramaratonas não chegam nessa distância nem somando os dois ou três dias de prova, a única do nosso ranking que se enquadra oficialmente como ultramaratona é a Caminhos de Rosa, e pelas nossas pesquisas, até agora haveria apenas mais uma prova no Brasil com essas características.

Além disto, já havíamos identificado o problema de se colocar na mesma avaliação as Ultramaratonas NonStop vs Stage Races, por tratar-se de eventos diferentes a partir dos critérios julgados. Apesar de sempre consideramos aspectos como nível técnico, endurance, estrutura e organização, logística da prova, despesas e valorização dos atletas. O coeficiente final é divergente entre os dois tipos de competição.

Então, a partir desta edição, resolvemos dividir o ranking em Ultramaratona NonStop e Stage Race (XCS). E assim, apresentamos o nosso ranking de 2018 com as 7 melhores ultramaratonas e stages races do Brasil.

 

Ultramaratona NonStop

 

Caminhos de Rosa

Caminhos de Rosa 2017
Eq. Tripedal, 2º C. Caminhos de Rosa 2017 – Foto: Eq. Brou Aventuras

A Caminhos de Rosa é uma dessas ultramaratonas que a gente termina a prova querendo voltar no próximo ano. O percurso que atravessa o sertão mineiro traz um pouco da dinâmica de corrida de aventura para o mountain bike, no estilo survivor, e um conceito que busca integrar esporte e cultura com o percurso baseado na travessia do caminho da boiada que inspirou Guimarães Rosa. A atenção e dedicação dos organizadores e staffs é um dos pontos fortes, inclusive, porque cada P.A. da prova é de alguma competição tradicional de MG, por exemplo, tem o P.A. do pessoal da Sertão Diamante, outro do Desafio Extremo, etc. A prova só perde pontos por ser praticamente toda em estradas de terra, com poucas partes técnicas, mas não subestime a chegada em Cordisburgo, o melhor ficou guardado para o final.

Estágios/Dias

1

Distância total

300km

Altimetria

4.000m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

Os pontos fortes das Caminhos de Rosa são a organização, amizade e a proposta esportiva e cultural da prova. Perdendo pontos apenas nos aspectos técnicos de competição quando comparadas às provas de XCS devido restritamente ao tipo de percurso, mas que não deixa de ser duro e desafiador.

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Stage Races

 

Voto Popular: Ultra Brou

Ultra Brou MTB - serra da canastra
Ultra Brou MTB – Serra da Canastra

Thiago Drews, o Brou Bruto, levou seu carísma para os eventos de mountain bike e tem feito maratonas sem João Klebismo em algumas regiões do país. E como nem o Brou Bruto quer ser feio, ele não fingiu e também fez sua Stage Race na região de São Roque na Serra da Canastra. Ainda não participamos da prova e não temos dados suficientes para avaliar a prova, mas ela foi indicada por atletas que participaram no nosso site e nas redes sociais do @tripedalnet para entrar no nosso ranking, e pelo que sabemos, se depender dos eventos de rico que o Brou vem fazendo, esta tem pontencial de ser uma Stage Race de milionário. Bruto demais.
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5º – Iron Biker

Eq. Tripedal Iron Biker 2015
Eq. Tripedal, 5º C. Iron Biker 2015 – Foto: Assis Calazans P+

O Iron Biker tem como adjetivos a tradição e popularidade. A prova que acontece há mais de 25 anos na região entre Ouro de Preto e Mariana em Minas Gerais, já foi sinônimo do “puro mountain bike” e de elevado nível técnico. Nos anos anteriores, talvez pelo crescente número de participantes a prova diminuiu o nível técnico e passou por problemas de organização em relação à marcação de percurso e cronometragem. No entanto, este ano a prova por alguns ajustes e melhorou nestes aspectos. Indicamos principalmente para quem está começando na modalidade e/ou quem gosta de cicloturismo, para aproveitar melhor o tipo de prova e o percurso com belas paisagens, e também pela grande festa de confraternização e entrada no esporte que o evento proporciona.

Estágios/Dias

2

Distância total

160km

Altimetria

3.260m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

As principais qualidades do Iron Biker estão ligadas ao percurso bastante fluído e as belas paisagens, confraternização, aproximação de atletas iniciantes no esporte, marketing e promoção. Perdendo pontos nos aspectos organizacionais da prova, devido a problemas de marcação de percurso, fiscalização, cronometragem, conflitos e congestionamentos entre categorias com percursos diferentes e falta de fair play.

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4º – Sertão Diamante

Eq Tripedal Sertão Diamante 2016
Eq. Tripedal, 3º C. Sertão Diamante 2016 – Foto: Sertão Diamante

A Sertão Diamante talvez seja a prova que melhor represente as raízes do Mountain Bike mineiro atualmente. Com 2 etapas de XCM na região de Diamantina, a prova vem crescendo rapidamente em número de participantes, e conta com boa organização, percursos rápidos e os custos/despesas são acessíveis. Indicamos para quem busca um bom ritmo de prova neste tipo de competição.

Estágios/Dias

2

Distância total

170km

Altimetria

2.880m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

A Sertão Diamante destaca-se pela simplicidade e por ser bem organizada, acessível e muito competitiva. Perde alguns pontos quanto a estrutura e por forçar a barra quanto a algumas burocracias que certamente serão resolvidas com a evolução da prova.

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3º – Festival Brasil Ride (Warm-up)

Eq. Tripedal - Warm-up Brasil Ride 2015
Eq. Tripedal, 10º C. Warm-up Brasil Ride 2015 – Foto: Vizual Bikes

Criada como aquecimento para a Brasil Ride (XCS), o Festival Brasil Ride (Warm-up) acontece na região da Cuesta em Botucatu/SP, e durante 3 dias desafia os competidores com uma “amostra” do que é a XCS da Brasil Ride. Os percursos são técnicos e bem elaborados, a prova é bem organizada e tem uma boa relação custo/benefício. Essencial como preparação para quem pretende participar da edição completa da Brasil Ride ou de uma Stage Race pela primeira vez.

Estágios/Dias

3

Distância total

199km

Altimetria

5.016m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

O Warm-Up é uma prova completa e bem organizada. Possuí percursos desafiadores, bom nível de competição, e se considerarmos os demais eventos esportivos que acontecem durante o Festival Brasil Ride, torna-se um evento completo.

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2º – Canastra by Ravelli

Canastra by Ravelli - Eq Epic Bike | Tripedal.net
Canastra by Ravelli – Camila Franciosi – Eq. Epic Bike | Tripedal.net (GP Ravelli)

Marcio Ravelli, além de deixar o seu nome registrado como um dos grandes nomes do esporte nacional, tem realizados grandes eventos de mountain bike por todo o país. E em uma região como a da Serra da Canastra, não seria diferente. A Canastra by Ravelli é uma Stage Race (XCS) com 3 etapas, que acontece na cidade de Delfinópolis, em Minas Gerais. A prova percorre um dos parques estaduais mais bonitos do Brasil, com muitas subidas, singletracks e rock gardens alucinantes, além de um belíssimo visual e muitos desafios.

Estágios/Dias

3

Distância total

165km

Altimetria

4.600m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

Os pontos fortes das Canastra by Ravelli são relacionados ao percurso e ao terreno, que exigem preparo físico e muita técnica. Além de ser um evento simples e amistoso, com estrutura básica, feito para quem gosta do mountain bike raiz, com boa relação custo/benefício.

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1º – Brasil Ride

Eq. Tripedal - Brasil Ride 2015
Eq. Tripedal, 5º C. Brasil Ride 2015 – Foto: Sportograf

A maior ultramaratona das américas, única prova classe S1 do Brasil, considerada uma das Stage Races mais duras e técnicas do mundo, é também a nº 1 do nosso ranking. Uma prova completa, com percursos técnicos e desafiadores que englobam as principais modalidades de cross-country nos seus estágios, exigindo muito preparo físico e psicológico dos competidores, contando com suporte completo, boa organização e a participação de alguns dos melhores atletas do mundo. A Brasil Ride faz juz ao seu slogan: “mais do que uma competição uma estágio em sua vida”.

Estágios/Dias

7

Distância total

600km

Altimetria

12.000m

Endurance

Nível Técnico

Percurso

Estrutura de Apoio

Organização

Valorização do Atleta

Legado Social

Logística

Custos/Despesas

 

A Brasil Ride é uma prova completa, uma das maiores e melhores ultramaratonas do mundo, além de ser um grande encontro de final da temporada dos melhores atletas de MTB Cross-Country do Brasil e do mundo. A organização e a estrutura da prova são muito boas, assim como a variação dos percursos e exigências técnicas e de endurance. A prova só perde alguns pontos quanto a logística e a vila do Arraial D’Ájuda, por não oferecer uma estrutura semelhante à que havia em Mucugê (quando a prova acontecia na Chapada Diamantina) devido ao seu elevado custo. O legado social da prova é bom, mas poderia criar um impacto ainda maior na qualidade de vida de alguns povoados na região do sertão Bahiano onde a prova atravessa, e ter maior rigor e aperfeiçoamento de algumas partes do regulamento para deixar a prova mais competitiva para os atletas amadores, como nas categorias Corporate e Nelore.

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Entenda os critérios de avaliação:

• A primeira coluna, Endurance, Nível Técnico e Percurso, trata-se da qualidade do percurso e sua exigência em relação às habilidades físicas e técnicas do atleta. Quanto maior o valor, mais desafiadora é a prova;
• A segunda coluna, Estrutura de Apoio, Organização e Valorização do Atleta, avaliam a forma que os atletas são tratados por Staffs, a marcação do percurso, os pontos de apoio, a seriedade da competição, a estrutura oferecida de acordo com o valor da inscrição, ou seja, trata-se da avaliação da organização do evento. Quanto maior a nota, melhor é o evento, como prestação de serviço;
• Legado Social, o primeiro item da terceira coluna, avalia o impacto da prova na sua região e nas pequenas comunidades por onde ela passa. Sabemos que o esporte, principalmente o ciclismo, é um agente transformador da sociedade, e uma competição além de auxiliar na geração de renda, através dos serviços diretos e indiretos que são requisitados, também tem grande influência positiva nas comunidades e principalmente entre jovens e crianças. É importante que Legado Social não seja confundido com pedir quilo de alimento ou algum tipo de doação no momento da inscrição, trata-se de realmente fazer a diferença na sociedade, ou seja, uma prova não precisa pedir doação para ter um ótimo legado social, e não é porque cobra alguma doação que isto seja algum legado. Portanto, quanto maior a nota neste quesito, maior é o impacto positivo da prova na sua comunidade;
• Os dois últimos itens da terceira coluna tratam dos custos diretos e indiretos para participar da prova. Quanto maior a nota nestes critérios, maior será o seu desembolso;
• O item logística, avalia as despesas e dificuldades de transporte, hospedagem, custos indiretos e recursos necessários para o atleta participar da competição. Quanto maior a avaliação mais cara e/ou complicada será a sua participação na prova;
• Em Custo/Despesas avaliamos principalmente o custo direto, ou seja, valor da inscrição considerando o tamanho/estrutura do evento, apesar de ponderamos no sentido de avaliar o custo/benefício, o peso maior neste item é o valor mínimo a ser desembolsado para participar da prova.

 

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