Foram sete dias de prova, dias duros, difíceis e de pura superação.

Relato Brasil Ride 2015: Juninho GoOn

Tivemos que deixar a diversão de lado, trabalhar sério. Isso há um ano atrás, quando o Luiz Eugênio da Equipe GO ON de Ciclismo me propôs esse desafio. Pra mim seria muito difícil, pois atualmente não posso dedicar tanto ao esporte como antes, mas topei o desafio. Então como eu teria poucos finais de semana para treinar e até mesmo competir, só sobrou a madrugada. Acordar às cinco da manhã, treinar e ir trabalhar. Foi complicado treinar nesse horário, tenho um problema sério para dormir e quase sempre durmo entre meia noite e uma hora da manhã.

relato-juninho2Como foi difícil conciliar! Não pude refrescar, meu parceiro era muito dedicado e disciplinado e não falhava a nenhum treino. Tive alguns contratempos no período dos meses de fevereiro, março e abril que praticamente me tiraram dos treinos. Então tracei o objetivo: treinar para correr o Warm Up e o Ibitipoca Trip Trail e logo depois torcer o cabo nos treinos e chegar forte ao Brasil Ride.

Deu certo!
Partimos para Mucugê, BA!!! No primeiro dia de treino já cortei um pneu e percebi que a casca realmente era grossa e muito grossa, percebi que tinha que economizar meu equipamento ao máximo. Então veio o prólogo, primeira etapa, uma etapa rápida, de uma hora. Só que no outro dia vinha uma porrada!!!

Logo as seis da manhã a etapa rainha, 143km de Mucugê até Rio de Contas e então o famoso Vietnã. Realmente muito duro mas não foi ele que me matou, foi a Serra das Almas. Mesmo saindo de uma posição defensiva e cautelosa essa etapa me matou. Nos cinco quilômetros finais de serra simplesmente fiquei sem condições de ficar em pê. Imaginem em cima da bike. Então o trabalho de equipe foi crucial essa hora. Meu parceiro me empurrou e carregou minha bike, e eu fui me arrastando e cambaleando morro acima. Ele foi muito inteligente soube a hora certa de trabalhar para que eu não me entregasse naquele momento. Então veio o pior, fiquei por horas no posto medico tomando soro, cheguei a pensar que não tinha condições de largar na terceira etapa, mas não admiti isso, trabalhei muito para estar ali e não saberia quando teria outra oportunidade de voltar a um evento como esse.

Larguei na terceira etapa me arrastando e com três pães de queijo que comi no café da manhã. Uma etapa difícil de XC muito técnica que exigiu muito força e concentração coisa que não consegui hora nenhuma! Estava muito mau!!!

A quarta etapa foi a ressurreição!!! Logo depois do XC meu apetite abriu então eu comi e bebi tudo que podia e vinha na minha frente. Claro, com muita cautela! Fiquei 100%. Saímos fortes e fizemos uma corrida de recuperação e ganhamos varias posições na etapa e na prova.

A quinta etapa, essa sim, foi dura e QUENTE! Largamos bem novamente, andamos forte e mantemos um bom ritmo. Mas essa etapa foi dita que seria a mais fácil, deixou muito atleta de mau humor, pedalamos por longos quilômetros em bancos de areia descemos trilhas de pedras que pareciam antigos riachos que secaram. Foi muito duro, passamos horas torrando no sol, tivemos três pneus furados, perdemos muito tempo. Então decidimos tirar o pé e completar a prova mais devagar pois tava tão quente que eu não conseguia segurar minha manete de freio pois ela estava fritando meu dedo. Difícil acreditar, mas aconteceu!!!! Ah esqueci de falar do vento, parecia o secador de cabelo daqui de casa, ele “queimava” além de travar a bike pois soprava contra o tempo todo. Essa etapa matou muita gente!!! Foram 92 km de sofrimento com uma serra de 5km de asfalto no final.

A sexta etapa, o Retorno a Mucugê, sinceramente era a que eu tinha mais medo. 146 km de estradas, só estradão! Não é minha especialidade, tive que concentrar e andar na roda do Didico pois essa seria a etapa que ele ia me fazer sofrer muito. Mas tivemos novamente dois pneus furados, um no início e outro em um ponto que estragou nossa estrategia. Mesmo assim resistimos e formamos um pelotão que rodou forte nos 30 quilômetros e fizemos uma chegada histórica, ao invés de disputarmos a chegada metro a metro chegamos todos juntos comemorando e celebrando nossa união, ganhamos muito tempo com esse trabalho, eram mais ou menos oito duplas.

Enfim a etapa final, a sétima e ultima etapa. Foram 77km de cabo torcido o tempo todo. Meu parceiro e Capitão liberou torcer o cabo pois era minha especialidade, trilhas técnicas e muita velocidade. Então o pau caiu a foia!!! Fechamos nossa participação na 33 colocação com um gostinho de vitoria e que se não foce os contratempos poderíamos ter melhorado e muito nossa colocação. Mas contratempos acontecem e fazem parte de qualquer competição.

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Agradeço ao meu parceiro Luiz Eugênio pela parceria e paciência nas horas difíceis que passamos juntos. Obrigado a todos que torceram por nós! Que se manifestaram via rede social. Nossa participação na Brasil Ride tomou uma proporção que eu não fazia ideia, pessoas que não tem qualquer afinidade a nenhum esporte estão me parando na rua e me parabenizando simplesmente por ter cumprido esse desafio. Parabéns ao Marcelo De Assis Araújo ao Darley Cardoso e ao Marcio Henrique por terem também representado brilhantemente a Equipe Go On de Cilcismo e terminando na quinta colocação na categoria Trio. Obrigado a Júlia Heide Ribeiro pela carona na bagagem. Obrigado a minha Esposa Nataly Cristiane pela paciência e incetivo e mais uma vez obrigado a todos pelo força!!!

 

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