Conheça o perfil dos Super Randounneurs brasileiros que irão participar da 19ª Edição do Paris-Brest-Paris: Brazucas no PBP 2019

Ruan Thiago Burgardt – G022

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Cidade:
Florianópolis/SC

Naturalidade:
Rio Negro/PR

Idade:
30 anos

Profissão:
Vendedor técnico / Estudante

Como/Por que começou a pedalar?
Comecei a pedalar por lazer quando ainda era criança, sendo assim até a minha adolescência. Em 2007 mudei-me para Joinville para iniciar minha graduação, ficando 5 anos praticamente sem pedalar. Após formado, mudei-me para Florianópolis para iniciar o mestrado, e, novamente, ficando sem pedalar. Percebi ao longo daqueles últimos anos o quanto tinha aumentado meu nível de insatisfação e stress. A falta de educação das pessoas, engarrafamentos e constantes brigas de trânsito estavam consumindo minha saúde. Denunciar, fazer boletim de ocorrência e coisas do tipo? Infelizmente justiça é algo que não se encontra nesse país e até hoje sequer fui chamado para explicar tudo que ocorreu… Para escapar dessa verdadeira selvageria automobilística comecei a pedalar com uma MTB. No início meu preparo físico não me permitia fazer grandes aventuras e eu acabava limitado a passeios tranquilos na beira-mar ou levar a bike no carro para pedalar em algum local específico. Com o tempo comecei a pedalar em grupos e a evolução foi bem rápida, saindo dos meus 10km para 20km, 30km… e imaginando se era verdade que alguns amigos conseguiam pedalar mais de 100km num único dia. Isso até o dia que eu mesmo fiz isso e vi que era verdade! Depois da barreira dos 100km quebrada, pedais longos tornaram-se bastante frequentes e vi que finalmente eu tinha encontrado o meu esporte de paixão. Carro já não fazia o menor sentido e stress muito menos. Com a bike ganhei centenas de novos amigos e conheci lugares que antes eu sequer imaginava que existiam. Isso sem falar na economia de tempo e dinheiro. Enquanto antes eu levava quase 2 horas para ir até o centro e estacionar, após a bike esse tempo ficou reduzido a apenas 15 minutos na porta do estabelecimento que eu quisesse (isso mesmo, 15 minutos sem ter preparo de atleta!). Passados mais alguns meses, troquei de MTB e fui participar pela primeira vez de uma prova BRM: Audax Floripa BRM 200km Volta à Ilha. Foi muito emocionante cruzar a linha de chegada e perceber que a grande barreira nunca tinha sido a distância, mas sim o psicológico. Desde então não parei mais, tendo completado até o momento 6 BRMs 200km, 2 BRMs 300km, 2 BRMs 400km, 2 BRMs 600km, 1 BRM 1000km e 1 Flèche Brasil, obtendo o título de Super Randonneur 2018 e 2019.

Qual o BRM/LRM mais marcante?
Cada um à sua maneira, para mim todos os BRMs foram marcantes (a primeira vez a superar 200km, a primeira série Super Randonneur concluída, a primeira vez a quebrar a barreira dos 4 dígitos no Audax 1000km, etc). Porém, tem um BRM recente que me marcou muito pelas condições em que fiz essa prova. Foi o Audax Floripa BRM 600km 2019, última etapa da série Super Randonneur 2019 e último requisito para confirmar minha inscrição para o PBP. A largada da prova foi às 5h da manhã do dia 01/06/19. No dia 29/05 a noite fui fazer a tradicional subida semanal no Morro da Cruz, jamais esperando o que estava para acontecer em seguida… O que era para ser uma diversão, em poucos segundos tornou-se um pesadelo. Uma queda no início da descida acabou levando-me para o hospital e vi o sonho de participar do PBP escapando das minhas mãos. Os médicos afirmaram que eu deveria ficar em repouso e não deveria sequer cogitar em pedalar. Os dois dias seguintes antes da largada para os 600km foram de muita luta contra a dor e contra a aceitação do fato de estar fora da prova. No dia da largada fazia muito frio, estava chovendo e ventando contra. Meu braço latejava de dor e o quadril não estava me ajudando sequer a se levantar da cama. Não sei explicar de onde brotaram forças quando decidi que iria fazer essa prova. Só lembro de ficar pensando que se eu não fizesse a prova, só teria chance de participar de outro PBP em 2023 e teria que começar tudo do zero. Pensei “a hora é agora”, levantei, fiz os curativos no corpo, enfaixei o braço direito e fui enfrentar o que seria uma das provas mais duras da minha vida. Mesmo com efeito dos remédios, a dor nos primeiros quilômetros foi surreal. Enfrentei bastante dificuldade para conseguir aquecer também, pois com a chuva e vento, o corpo perdia calor rapidamente. A solução foi pedalar forte e parar muito rapidamente, mesmo com o braço implorando pelo contrário. Ao chegar no hotel em Torres/RS, ao invés de fazer como os outros atletas, parar e dormir, eu fui limpar os machucados e refazer os curativos. Após trocar a faixa no braço, era hora de repor energias e seguir em frente na madrugada mesmo. Vi que não aguentaria se ficasse parado dormindo. A estratégia deu muito certo, pois na volta a minha confiança aumentava a cada quilômetro e a vontade de desistir havia passado. Conclui a prova num tempo muito abaixo do que eu esperava, conseguindo inclusive chegar em casa para o almoço! Sem dúvida, essa foi uma das provas que eu mais sofri e também que eu mais comemorei por ter conseguido finalizar.

Já participou de outros PBP? Como foi?
Não. Esse ano será minha primeira vez no PBP.

Como foi a sua preparação para o PBP 2019?
Conseguir conciliar trabalho, estudos e treinos não é uma tarefa fácil. Porém, tendo muita disciplina e rigorosidade nos horários, é possível sim. Durante a semana fui trabalhar exclusivamente de bicicleta e aproveitei para fazer treinos curtos, alguns com bastante altimetria. Nas folgas aproveitei para treinar longas distâncias sempre que possível.

Qual a sua expectativas para o evento?
A minha expectativa é a melhor possível! Lembro da minha felicidade quando completei meu primeiro BRM 200km, quebrando uma barreira que eu considerava impossível na época. Agora, 2 anos depois, estou prestes a participar da principal prova de longa distância do mundo! Parece um sonho se tornando realidade. Essa prova é o último requisito que falta para mim para a obtenção do título Randonneur 5000 e servirá também para se inscrever na 1001 Miglia Italia 2020. Ou seja, mal posso esperar para percorrer esses desafiadores 1200km!

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