Na Expedição Tripedal deste ano, percorremos o Caminho de Cora Coralina. Foram 3 dias de aventura por trilhas e estradas históricas, partindo de Corumbá até a Cidade de Goiás.

 

O Caminho de Cora Coralina foi baseado em relatos de viagens de tropeiros do século 18 ao 20. São trajetos que foram percorridos por bandeirantes e originados das trilhas criadas pelos índios Goyases e demais povos nativos das Américas. Após a realização de estudos e adaptações, foi definida uma rota turística voltada para cicloturistas e mochileiros, são aproximadamente 300km com 5.150m de ganho de elevação, com paisagens deslumbrantes através das Serras dos Pireneus, Caxambu e Jaraguá.

Provavelmente os voluntários que ajudaram a levantar o percurso são atletas do mountain bike “raiz”, porque as trilhas são incríveis. Tem singletracks para todos os gostos, subidas e descidas com um nível técnico que exige um pouco de habilidade do ciclista. Enfim, para quem gosta de moutain bike, as trilhas são ótimas, muito divertidas e empolgantes. No entanto, para o cicloturista que viaja com alforges pesados e bicicletas gravel, pode ser muito difícil transpor os obstáculos e estes vão sofrer bastante ao longo da maior parte do percurso, tanto nas trilhas técnicas com pedras, subidas íngrimes e nas matas fechadas, quanto nos estradões com muitas costelas e densa camada de poeira. Dependendo do tipo de bike e proposta da viagem, sugiro que o cicloturista estude e edite algumas partes do percurso e siga por estradas vicinais.

Outro aspecto que requer atenção ao percorrer o Caminho de Cora refere-se à logística e abastecimento, ou seja, muitos povoados pelo caminho ainda não tem infraestrutura turística. Em alguns locais você não conseguirá comprar água ou comida, também não há hospedagens em todas as localidades. Deve-se planejar onde serão as paradas, se o comércio estará aberto ou se terá algum tipo de apoio.

Os Picos das serras são literalmente o ponto alto da percurso, (obvio, rs). Do alto da igrejinha do Pico dos Pirineus e da rampa de voo livre no pico de Jaraguá, o visual é incrível, e a sensação de chegar lá em cima é de plenitude. Não ignore essa parte do trajeto. Outro destaque do caminho são as nascentes, córregos e rios com água cristalina ao longo do percurso. Áreas que requerem todo cuidado e preservação, e que também nos revigoram nos momentos de calor com sol a pique.

Ao percorrer o Caminho de Cora, você vai atravessar fazendas e áreas particulares, seja cortês com os moradores, e tenha cuidado ao transitar em suas propriedades, não bata as porteiras e sempre feche-as. Em alguns pontos há problemas de marcação, principalmente na região de Pirenópolis, onde as placas e marcações foram vandalizadas. Outros pontos com maiores problemas de marcação estão a aproximadamente 30km da Cidade de Goiás, seguir o tracklog é importante. Note que o Caminho de Cora é dividido em 12 trechos, estes podem trazer características geográficas e histórias, assim como descrições específicas sobre aquela parte do percurso. Portanto, é bom estudá-los e ficar atento a eles.

Muitos cachorros correrão atrás de você pelo caminho, matilhas inteiras, mas poucos são grandes e realmente perigosos, tenha cuidado e esteja preparado para estes. A maioria deles estará entre Caxambu e São Francisco. Você também poderá encontrar um ou dois bois bravos na região de Itaguari, não se assuste e nem os assuste.

Ao contratário do que muita gente pensa, Cora Coralina provavelmente nunca percorreu tal caminho. O nome escolhido para o trajeto originado nas trilhas dos Goyases é uma homenagem à poetiza goiana e pelo fato do percurso terminar em sua cidade natal, Goiás. Para os mochileiros e quem mais resolver fazer o trajeto em vários dias, há fragmentos históricos e versos que podem ser encontrados por toda parte. Seguindo as pegadas, que são as marcações ao longo do caminho, você poderá encontrar ruínas e construções da época do garimpo, principalmente algumas igrejas que são verdadeiros museus e refletem a história de uma época.

Um dos aspectos que mais gosto nas Expedições do Tripedal é o (re)descobrimento dos territórios, dos postes de telegrafo do Marechal Rondon na Chapada dos Guimarães às habitações de pedra dos garimpeiros na Chapada Diamantina, sempre há uma vivência de uma época e uma cultura que nos faz sentir um pouco destas histórias, como uma viagem no tempo. E percorrer uma parte da estrada colonial no Caminho de Cora Coralina, personalidade que nasceu ainda nos tempos do Império do Brasil, não foi diferente. No mais, felizmente a maior parte dos participantes da Expedição Tripedal conseguiu terminar o percurso com êxito, em um ritmo e esforço dignos de uma stage race. Parabéns a todos que completaram essa jornada, gratidão aos que demarcaram e que preservam o caminho, e respeito às riquezas naturais, ao nosso patrimônio histórico e aos povos originais (possivelmente exterminados) que abriram estas trilhas.

Deixo vcs com essa interpretação do amigo, Rodrigo Reis, próximo às ruínas de Ouro Fino :D

 

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