A Expedição Sertão de Guimarães, organizada pela Caminhos de Rosa, consiste em uma travessia de aproximadamente 1.600 km entre Cordisburgo (MG) e Brasília (DF), realizada ao longo de cerca de 30 dias de pedal. O percurso atravessa estradas rurais, caminhos históricos, reservas florestais, comunidades tradicionais, territórios de grande relevância cultural e áreas quilombolas centenárias, revisitando o caminho da boiada do sertão mineiro ao Cerrado brasileiro.

Para cicloturistas interessados em experiências culturais, a rota oferece um percurso que conecta literatura, paisagem, memória e modos de vida ainda presentes no território. Ao longo do caminho, a expedição passa por referências emblemáticas, como o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o Parque Nacional Grande Sertão Veredas e a cidade de Pirapora, historicamente ligada ao rio São Francisco e ao Vapor Benjamin Guimarães, o único barco a vapor em funcionamento nas águas interiores brasileiras e um importante patrimônio cultural do país.
Percorrer a rota de bicicleta possibilita um seguir um ritmo próprio de deslocamento, permitindo observar as transformações da paisagem, a distribuição da água no território, os acessos aos pequenos povoados, os trechos de terra batida e os pontos de apoio que caracterizam uma viagem de longa duração. No caso desta expedição, ela permite validar os tempos de deslocamento, condições de acesso, infraestrutura disponível, serviços existentes e necessidades reais do caminho.
A experiência de campo também produz informações relevantes para futuros cicloturistas. Ao longo da travessia, os pesquisadores realizam escutas com moradores, registram pontos de interesse cultural, ambiental e turístico, identificam riscos e oportunidades e constroem uma base de dados territorial que dará origem à ciclo-rota, à sinalização museológica, ao guia autoguiado e ao Passaporte do Viajante.
Essa iniciativa integra o Museu de Território Caminhos de Rosa, um museu vivo que se constrói a partir das pessoas que mantêm o território ativo. Casas de moradores, propriedades rurais, cozinhas, quintais, oficinas e caminhos tornam-se espaços de preservação cultural, onde permanecem práticas como a produção artesanal da farinha de mandioca, a condução do carro de boi, a lida com o gado, a culinária sertaneja e os conhecimentos ligados ao plantar, colher e receber. São saberes transmitidos pela oralidade e preservados por gerações, hoje ameaçados pelo esvaziamento do campo e pelas transformações sociais contemporâneas.
O guia a se produzido a partir da expedição será a principal ferramenta de acesso permanente ao museu de território. O material reunirá rotas, trechos, pontos de interesse, produtores locais, práticas culturais e informações logísticas validadas em campo, orientando deslocamentos, indicando boas práticas e ampliando a segurança de quem desejar percorrer o caminho futuramente.
Descrição da Rota
A expedição liga Cordisburgo a Brasília por vias de terra e cascalho, com trechos moderados e desafiadores. O trajeto aproximado (rota planejada) inclui:
- Cordisburgo (MG) – Morro da Garça (MG) – ~90 km: estradas rurais em parte pavimentadas, subidas suaves. Ponto de partida no Museu Casa Guimarães Rosa e Gruta do Maquiné.
- Morro da Garça (MG) – Pirapora/Buritizeiro (MG) – ~150 km: estradas de terra e cascalho. Atravessa Andrequicé (cultura vaqueira e capelinha de Manuelzão), cruza o Rio São Francisco pela Ponte Marechal Hermes, chegando à Barra do Rio de Janeiro (encontro simbólico de personagens rosianos).
- Pirapora (MG) – Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG) – ~150 km: estradas vicinais. Entrando no vale do Peruaçu, com cânions e grandes formações calcárias, culmina na Gruta do Janelão – destaque do parque. O trecho é difícil, com trilhas íngremes e trechos arenosos.
- Parna Cavernas do Peruaçu – Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Chapada Gaúcha, MG) – ~120 km: trechos de veredas (trilhas de areia do cerrado). O PN Cavernas do Peruaçu abriga sítios arqueológicos e pinturas rupestres pré-históricas. Em seguida, adentra o PN Grande Sertão Veredas, cenário do romance homônimo, com extensas veredas, buritizais e mirantes naturais.
- Chapada Gaúcha (MG) – Brasília (DF), via Formosa (GO) – ~200 km: estradas vicinais e federais (em parte asfaltadas). Passa perto do Salto do Itiquira (Formosa-GO) e percorre estradas do cerrado até a chegada em Brasília. A capital marca o fim da travessia e a integração ao sistema nacional de trilhas.
Treino e Principais Pontos de Interesse
| Trecho | Distância (aprox.) | Tipo de piso | Dificuldade | Pontos de Interesse |
| Cordisburgo (MG) – Morro da Garça (MG) | 90 km | Estradas rurais de terra e cascalho; trechos de asfalto | Moderada (subidas) | Museu Casa de Guimarães Rosa (Cordisburgo), Gruta do Maquiné, Capelinha de Rosário, cultura vaqueira (Andrequicé) |
| Morro da Garça (MG) – Pirapora/Buritizeiro (MG) | 150 km | Estradas de terra e cascalho | Moderada | Comunidades rurais de sertão, Ponte Marechal Hermes, Rio São Francisco (Pirapora/Buritizeiro), Barra do Rio de Janeiro (referência rosiana) |
| Pirapora (MG) – Cavernas do Peruaçu (MG) | 150 km | Estradas vicinais e trilhas de terra | Alta (trechos acidentados) | Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (cânion do Peruaçu, Gruta do Janelão, sítios arqueológicos com pinturas rupestres) |
| Parna Peruaçu (MG) – Parna Veredas (Chapada Gaucha, MG) | 120 km | Trilhas de terra, veredas arenosas | Alta | Parque Nacional Grande Sertão Veredas (veredas, buritizais, mirantes Três Irmãos e Seriema) |
| Chapada Gaúcha (MG) – Brasília (DF) via Formosa (GO) | 200 km | Estradas vicinais de terra e estradas federais asfaltadas | Moderada | Salto do Itiquira (Formosa-GO), transição de biomas (Cerrado), Estrada Parque até Brasília |
O trecho final acontece entre Formosa e Brasília, e a galera da Tripedal, que nunca perde a oportunidade de participar de uma boa expedição, não poderia ficar de fora dessa travessia. Aproveitando esse trecho emblemático, os atletas da equipe se juntam aos ciclistas-pesquisadores do Caminhos de Rosa rumo à alguns dos marcos históricos mais importantes do Planalto Central. O percurso inclui a passagem pela Estação Ecológica de Águas Emendadas, um dos fenômenos hidrográficos mais singulares do Brasil, pela região histórica de Mestre D’Armas, antigo caminho de circulação e ocupação do interior do país, pela Pedra Fundamental, monumento que simboliza a escolha do território que viria a abrigar a futura capital federal, até a conexão com a Trilha União – Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade. Acompanhando esse trecho está o treinador da equipe Tripedal, Darley Cardoso, pesquisador dos caminhos originários do Planalto Central e autor do livro A arte de percorrer territórios ancestrais – caminhos, paisagens e memórias: a travessia como método de conhecimento. Uma chegada, na entrada no Planalto Central, que representa o encontro entre os sertões mineiros e os caminhos ancestrais do Cerrado, ampliando as conexões entre território, memória, literatura, natureza e diferentes formas de percorrer e conhecer a paisagem brasileira.
E, como todo ciclista aprecia uma boa resenha depois de uma longa jornada, o encontro continua no dia 20 de junho, a partir das 16h, no Sebinho Cultura e Gastronomia, em Brasília, com a recepção da Expedição Caminhos de Rosa. Às 19h, acontece uma conversa aberta sobre a expedição, o Museu de Território Caminhos de Rosa e as conexões entre patrimônio, natureza, turismo e literatura. O encontro será também uma oportunidade de compartilhar histórias de estrada, experiências vividas ao longo dos quase 1.800 quilômetros percorridos e refletir sobre os caminhos que aproximam pessoas, paisagens e saberes. Já no dia 27 de junho, o Sebinho promove uma programação especial em homenagem a Guimarães Rosa e aos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, entre 17h e 22h.
Fonte;
Organização Caminhos de Rosa

















