Audax - Ciclismo de Longa Distância

Os Brevets Randonneurs e Audax são eventos de ciclismo de longa distância não-competitivos, onde o foco é a possibilidade de percorrer longas distâncias em veículos de propulsão exclusivamente humana em seu próprio ritmo (allure libre). Sendo aceitas bicicletas tipo speed, mountain bike, down-hill, reclinadas, tandem, fixas, dobráveis, triciclos, patins, patinetes e elípticos, não havendo restrições quanto ao tamanho das mesmas ou de seus pneus e aros. Nestes brevets não há qualquer prêmio por ordem de chegada, na medida em que se trata de um desafio individual, onde cada ciclista procura completar o percurso conforme suas condições, dentro do limite de tempo estipulado para cada distância.

Nos Brevets Randonneurs Mondiaux (BRM), as distâncias homologáveis e seus respectivos tempos limites são: 200km (13h30), 300km (20h), 400km (27h), 600km (40h) e 1.000km (75h). Quem faz a série completa, de 200km a 600km, é considerado Super Randonneur e está qualificado para participar de qualquer Les Randonneurs Mondiaux (LRM), que são provas internacionais a partir de 1.200km (90h). Esta modalidade de andamento livre é regida mundialmente pelo Audax Club Parisien, e nacionalmente pelo Randonneurs Brasil.

Há também o Brevet Audax onde o andamento é imposto, ou seja, conduzido e controlado por “capitães de rota”, que regulam a velocidade do grupo, variando de 20 a 25km/h de acordo com o perfil do percurso. Internacionalmente, os Brevets Audax também envolvem outras modalidades, como: Esqui, Caiaque, Natação e Corrida. Este tipo de evento é regido mundialmente pela Union des Audax Français, e nacionalmente pelo Audax Brésil.

No Brasil, o Brevet Randonneur ficou conhecido como Audax, no entanto, há diferenças entre as duas modalidades, sendo que a principal é o andamento livre nos Brevets Randonneurs e o andamento imposto pelo ritmo do capitão do pelotão nos Brevets Audax.

Além da rota e do tempo estabelecido, deve ser observado o regulamento, que exige equipamentos de segurança a serem aplicados tanto no equipamento quanto usados pelo ciclista: capacete, iluminação dianteira, traseira e colete refletivo. Assim como equipamentos adicionais, que podem ser exigidos dependendo do clube organizador e das peculiaridades de cada região. Um exemplo é a obrigatoriedade do porte de manta térmica nas regiões mais frias do país.

Cada participante deve ser autossuficiente, não podendo receber qualquer apoio fora dos Postos de Controle (PCs), por parte de pessoas que não estejam participando da prova e, caso ocorra algum problema mecânico fora dos PCs, apenas ele mesmo ou qualquer outro participante inscrito na prova poderá providenciar apoio.

Inicialmente a Paris-Brest-Paris, no ano de 1891, surgiu como uma prova competitiva que aceitava cicloturistas entre os parcipantes, tendo como primeiro vencedor Charles Terront. Em 12 de junho de 1897, um grupo de cicloturistas italianos percorreu 230km entre Roma e Nápoles. Pela audácia da façanha, considerando as condições e equipamentos da época, denominou-se a mesma como “Audax“.

Em 1904, Henri Desgranges, criador do Tour de France, criou o Audax Francês, tal como o Audax Italiano, e delegou ao Audax Club Parisien a realização dos Brevets Audax na França. A partir de 1951 a Paris-Brest-Paris, converteu-se definitivamente em uma prova cicloturista que seria realizada a cada 5 anos.

Em 1999, Kayo Oliveira, tornou-se o primeiro brasileiro a completar os 1.200km do Paris-Brest-Paris. E em 2003 foi criado o Clube Audax Brasil por Manuel Terra e Cristiano Cordeiro, quando realiza-se a primeira série de brevets no Brasil. Ano que os ciclistas Bill Presada e Manuel Terra, tornam-se os primeiros brasileiros a completar a série de brevets com êxito. Bill Presada recebeu o título de “Audacioso do Ano” e Manuel Terra tornou-se o segundo brasileiro a participar e concluir o Paris-Brest-Paris, sendo o primeiro a representar uma equipe brasileira: o Clube Audax Brasil.

A modalidade têm levado um número cada vez maior de ciclistas brasileiros às estradas para superarem seus próprios limites, em 2013 o Brasil foi o 3º país organizador de Brevets Randonneurs Mondiaux (BRMs), dentre os 41 países organizadores, ficando atrás somente do Japão e Estados Unidos. Em 2017, apesar de ficar na 4ª posição, atrás do Japão, Tailândia e Índia, houve um crescimento no país de 50% no número de eventos e participações neste período, aumentando de 829.600 km para 1.669.700 km percorridos nos BRMs ao longo do ano pelos audáciosos ciclistas brasileiros, segundo relatório anual do Audax Club Parisien.

 

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